CAMINHO

O NOSSO

Como tudo começou

Contado pelo António

A história de como nos conhecemos teria mais graça contada, mas aqui vai.

Eu conheci a Margarida num recrutamento para um programa de voluntariado chamado Move. Enquanto eu esperava pela minha entrevista, juntamente com outros candidatos, entra uma rapariga no átrio e anuncia a boa nova a toda a comunidade universitária: “Tchii, isto é mesmo privado….máquina de café Nespresso!” (para os que conhecem a Margarida devem conseguir imaginar o aparato). 

Depois da minha entrevista, o fascínio pela máquina tinha passado porque havia café mais barato ao lado, mas mal me viu (não, não foi amor à primeira vista), a Margarida veio falar comigo: Olha desculpa lá, perguntam muitas coisas de negócios? É que eu sou de educação. Pronta para anotar tudo o que dissesse.

 

Não sei como é que entrevista correu, mas a rapariga do café acabou por ficar na minha equipa com mais três incríveis desconhecidos que se tornaram família para mim.

Moçambique

Contado pela Margarida

Quem conhece o António sabe que ele chama naturalmente a atenção: nunca para quieto! E aquele jeito descontraído e elétrico ao mesmo tempo chamou-me a atenção.

 

Cinco pessoas a viverem em África e a trabalharem juntos durante 6 meses acabam por conhecer particularidades muito próprias uns dos outros e das maneiras mais estranhas que possam imaginar. Acreditem!

 

Eu conheci o António a tratar de frangos, a comer arroz de feijão com a mão, a desentupir sanitas todas as semanas e a usar os mesmos calções de banho uma semana inteira (ele dizia que eles se lavavam sempre que dava um mergulho no mar…). 

No fim do dia, como quem diz, no final destes 6 meses, acho que foi a vontade de fazer acontecer, a dedicação, a entrega e o compromisso ao nosso trabalho na Ilha de Moçambique que acabaram por nos aproximar. Moçambique veio trazer-me uma experiência  pessoal e profissional incrível, 4 pessoas maravilhosas que considero família, mas acima de tudo, trouxe-me a pessoa por quem tenho mais admiração e orgulho. 

O pedido 

Contado pela Margarida

Tínhamos combinado, esse ano, fazer umas férias por Portugal. Decidimos pegar cada um em sua mota e explorar o Alto Alentejo. Depois de muitas tentativas de marcar sítio para ficarmos em Avis eu desisti e passei a “batata quente” ao António. Ele nunca mais falou disso e eu achei mesmo que se tinha esquecido.

À chegada a Avis, perguntei-lhe pelo intercomunicador (muito pouco convencida, admito!) onde é que íamos ficar. Cheio de confiança o António encaminhou-nos a um hotel na margem da barragem do Maranhão. Ainda tivemos tempo de dar um mergulho na piscina e ele pegou no telemóvel e disse que tinha acabado de receber um e-mail com uma oferta de uma viagem de barco na barragem. “Oferta?! Claro que vamos!” Fomos recebidos por um casal, donos de um barco movido a energia solar. E afinal a “oferta” era só para nós…

 

Estranhei, mas sinceramente, na altura não me passou pela cabeça o que podia estar para vir. A meio da viagem (a barragem do Maranhão é linda!) eu sugiro ao casal empreendedor que eles deviam ter umas bebidas para a clientela se refrescar a meio da viagem. Eles disseram que costumam ter e, repente, pôs-se um silêncio constrangedor que até me fez pensar que provavelmente o António até tinha escolhido o pacote mais básico, sem bebidas.

 

Depois de mais uma voltinha, deixaram-nos numa língua de areia à beira rio, com um picnic tipicamente alentejano à nossa espera. Obviamente pensei: “Ahhhh afinal sempre têm bebidas para oferecer!”. Mas de repente eles pegaram no barco e foram-se embora. Disseram que nos vinham buscar mais tarde. E eu olho à minha volta e de um lado o sol começou a pôr-se. E o rio refletia as luzes avermelhadas do céu. E do outro lado o António de joelho no chão e anel na mão. Sim, tive direito a todas as lamechices a que tive direito e que podem imaginar…

O pedido

Contado pelo António

A minha versão do pedido começa sete meses antes. Esta foi a primeira surpresa bem sucedida que fiz à Margarida. Eu não sou muito bom a esconder entusiasmo.

Para quem me conhece deve imaginar a minha indecisão na escolha do anel, e tenho de agradecer a alguns cumplices. Ao meu irmão/padrinho que foi meu porta-voz nas primeiras visitas a ourivesarias, quando verbalizar que me queria casar ainda envergonhava. Aos meus pais que foram opinadores oficiais do anel e que se entruzaram na indústria para me ajudar a encontrar o anel certo.

Terminada a aventura de encontrar um anel tinha de encontrar o momento certo e ainda que o primeiro dia da nossa viagem nao fosse o melhor, eu sabia que nao ia aguentar o anel escondido muito mais tempo.

Belo passeio de barco em que só a Margarida não sabia ainda o desfecho. O aparato da preparação deixou o casal da empresa de passeios meio nervoso gerando um cenário pouco habitual em que eu estava calado e eles nao paravam de falar.

O lanchinho já viram, o resto a Margarida deve ter contado, copo de vinho guela abaixo e lá fiz o ritual da praxe de joelho no chão.

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